"He`e Nalu - Deslizando nas Ondas"


Pensamentos.

 

 

Pensamentos. Essa palavra tem tantos significados... Tudo se baseia neles.

A vida passa diante de nossos olhos, mas é dentro de nosso magnífico cérebro que tudo isso é processado, daí sabemos se estamos tristes ou felizes.

Engraçado, por que misticamente dizendo, os sentimentos não vem do coração? Essa pergunta chega a um nível infame. Pois é, parece coisa de criança, mas é verdade. De onde será que surgem os sentimentos?

Mas uma vez vejo o sol se pôr atrás da escura favela do Jaguaré.

Estou dentro de um barco de competição, suando e castigando meu corpo, com a expressão de dor no rosto e o coração petrificado. Petrificado, por que os sentimentos estão trancados durante o período de treinamento. Afinal, a dor é tão grande, que se ouvisse meu coração naquele instante, sairia correndo para nunca mais voltar.

Treino terminado, a melhor sensação é a da água quente caindo sobre a cabeça e escorrendo pelo rosto. É como se fosse instantaneamente transportado para outra dimensão.

Sentimentos a flor da pele, o coração castigado e finalmente mais uma noite de sono.

Esse ciclo que se repete semana após semana, num círculo sem fim. E de repente, bum!... A mente trava, o coração trava, tudo pára como se o mundo tivesse desaparecido.E surgem os medos, as pirações, as lágrimas e a escuridão como se, num passo de dança, o mundo girasse numa enorme sensação de vazio, fazendo com que perca meu lugar no universo.

Sem harmonia... parece que nada dá certo. Os treinos ficam mais densos e o cronômetro mais apresado, as ondas perdem a força e não permitem que sejam surfadas e as pessoas parecem monstros, estranhos, agressivos e incompreensíveis.

Saber conviver com o cérebro e o coração parece ser a missão mais difícil que o homem moderno tem que enfrentar. Em que acreditar? Quantas vezes nos perguntamos se tal atitude é a melhor ou não, ou ainda como seria a vida se tivéssemos tomado outro rumo ou feito outras escolhas. Como seria bom se pudéssemos de alguma forma provar um pouco de vidas diferentes.

Acho que o segredo é apenas tentar viver. Ou, como diz o clichê quase banal - viver a vida como se não houvesse amanhã. Mas a cada dia isso se torna mais verídico, afinal nunca saberemos quando um Bush ou Bin Laden da vida, vai explodir os céus com suas bombas.

Surfem, remem, façam amor, dêem aos próximos amor. Essa é a mensagem deste romântico da vida para vocês, meus amigos de coração. Neste final de semana, sejam mais vocês mesmos. Amem, como se fosse o último final de semana de suas vidas.

Aloha.... Paz!!!

 

 



Escrito por Matias Boledi às 20h24
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Um Grito de Liberdade

 

Toca o despertador, acordo meio preguiçoso, completamente tomado pelo sono. Água na cara e desço para tomar um café, daqueles amanhecidos. Olho o relógio, ainda está cedo. Parafina na prancha, tudo pronto.

Chego a praia, o sol ainda baixo, as ondas quebrando solitárias, vou ao encontro de meu grande companheiro. No caminho nenhuma pegada, comecei a imaginar que estava numa daquelas praias paradisíacas, e um sorriso veio à tona.

Ponho minha amada na areia enquanto meu brother não chega. O tempo passa e nada. A vontade de surfar estava me matando, não agüentei mais esperar e entrei no nosso templo sagrado sozinho, benção, e lá estava eu atrás da arrebentação. Sozinho.

Surfo umas ondas e logo aparece o velho amigo, com o sorriso de sempre e com uma desculpa esfarrapada pelo atraso.

Surfamos juntos algumas ondas e logo ele da os sinais de cansaço. Afinal ele estava se recuperando de uma catapora que o pegou depois de velho, sorte que foi das leves. Mas já tinha sido suficiente, por que como ele mesmo disse: “imagina a galera na marginal”.

Demos risada da situação, mas depois comecei a pensar como são raros esses momentos, como nos tornamos escravos do sistema. O que aconteceu com a liberdade? Hoje numa segunda-feira, quebramos as regras curtindo uma manhã de sol com boas ondas.

“Vagabundos”... muitos devem pensar, ressaltando aquela antiga imagem do surfista marginalizado. Porém, não estávamos ali à toa. Estávamos - mesmo que de forma inconsciente - dando os nosso grito de liberdade.

Voltando para São Paulo - ouvindo um Maná com suas letras românticas e acompanhado por minha princesa - não conseguia pensar em outra coisa a não ser na palavra obrigado.

Obrigado por saber o que é estar livre.

Essa palavra é tão rara no vocabulário das pessoas hoje em dia, quanto mais o seu significado!

Mais tarde ouvi uma musica de um cara chamado Donavon Frankenreit, onde o clipe mostrava uns caras surfando, mas era um surf antigo... com alma. E o refrão cantava a palavra: FREE.

 



Escrito por Matias Boledi às 15h11
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Re-descobrindo a essência do surf.

 

Março de 2005, encontro um beco mágico cheio de objetos maravilhosos, reluzentes, porém abandonados ou que nunca tiveram um dono. Era assim que eu sentia aquela atmosfera, diferente de tudo que já havia sentido. Depois de algumas palavras com o Mago – dono daquele raro lugar - vi algo que me chamou demais a minha atenção, como se gritasse para mim, desesperada.

Pois é, era uma Linda Longboard branca com riscas azuis. Mas como todo objeto mágico, tinha seu preço, que no momento foi completamente ignorado. Ainda bem, por que senão talvez ela nunca teria voltado à vida.

A partir daquele momento, senti algo dentro de mim, uma energia divina e não consegui pensar em absolutamente nada a não ser o mar. Como se existisse alguma força magnética (ou algo assim) me puxando serra a baixo.

Na primeira oportunidade, fui descobrir o que estava acontecendo e a revelação não demorou a surgir diante de meus olhos. Era o Surfe, o verdadeiro Surfe.

Com o passar dos meses, esse Surfe começou a se tornar muito mais presente na minha vida. Já era surfista desde pequeno e sempre me considerei um surfista de alma, mas de repente descobri que não era bem assim. Existia algo muito mais profundo naquelas ondas que eu nunca havia imaginado e sentido, elas realmente tinham vida.

Naquele instante, deixei de surfar o mar e ele passou a me surfar.

A praia se transformou, naquilo que sempre repeti - talvez até de forma hipócrita -  por que nunca tinha tido certeza se era ou não. No templo sagrado, onde o “surfista de alma” pode se desprender de seu corpo, como se partisse numa viagem espiritual.

Ao longo de eras e eras, os homens entraram em templos construídos de pedras e tijolos, para ficar mais perto de seus Deuses, mas por que será que eles imaginavam e ainda imaginam que os Deuses estão mais presentes dentro de uma casa do que na natureza?

Depois da minha descoberta mágica passei a acreditar que Deus esta em todos os lugares, nos gramados, nas árvores, na água, no ar, em tudo, mas principalmente no mar. É como se nele, a energia fosse conduzida de forma diferente, conseguindo atingir de outra forma os corações de seus seguidores.

A essência da vida, assim como a do Surfe, é o sentimento. Adquirimos ao longo da nossa existência esse dom e deve continuar se desenvolvendo, como se fosse uma viajem sem fim. Com o objetivo de descobrir o que é o amor, a amizade, o mar, as ondas e quem realmente é Deus!

Sou hoje um novo surfista, descobri que tenho um novo objetivo na vida, talvez utópico. O de encontrar a verdadeira essência do surfe e ficar mais perto de Deus, não apenas surfando bem as ondas ou executando lindas manobras, mas sim entendendo o que é estar sobre uma prancha deslizando nas ondas e sentindo a vida passar por debaixo dos pés.



Escrito por Matias Boledi às 14h49
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O Começo

Hoje, inauguro esse ponto de encontro, onde vou poder desabafar, contar, escrever, comunicar um pouco sobre minha vida e meus pensamentos, imagino que não seja muito atraente, nem que faça muito sucesso, mas sempre que vcs queiram ver algo sobre, amor, surf, esportes e assuntos interessantes passem por aqui!

Obrigado

 



Escrito por Matias Boledi às 14h36
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