Raça, Raça, Raça, Paulistanoooo!

A água esta calma, apenas com uma pequena brisa. Tudo parece mover-se em câmera lenta. O coração começa a ficar mais agitado. De repente tudo começa a acelerar, a respiração já esta agitada quando o aviso surge, “ATENÇÃO, PRONTOS, SAI!”.
Nesse instante começa a busca pela vitória.
A primeira remada é ágil. As seguintes começam a ficar cada vez mais fortes. O barco desloca, o adversário vai junto. Mais força! e o adversário continua do lado.
Chegando próximos do primeiro quarto de prova - os 500 metros iniciais - a respiração esta mais forte, já ofegante. O corpo arde, como se estivéssemos sendo cozidos. Olha-se para o lado... e o adversário ainda esta lá. Assim continua durante muitos e muitos metros.
A cada metro, mais dor vai sendo acumulada. O sofrimento para não deixar o adversário escapar é monstruoso, muita força, e como se não bastasse, vai chegando o final da prova! Últimos quatrocentos metros... É a hora do “tudo ou nada”. A galera na margem começa a gritar, a adrenalina começa a subir de novo, todos os músculos estão sendo exigidos ao máximo. O maxilar começa a contrair de forma que os dentes parecem trincar, as pernas ardem muito.
200 metros, 100 metros, mais força. A luz desaparece. Os olhos não enxergam mais - está tudo escuro.
50 metros, 10 metros. Um sinal sonoro. A buzina determina que o barco cruzou a linha de chegada!
Agora - sem saber quem foi o vencedor - vem a pior parte da competição. O corpo parece ter sido surrado e realmente foi. Exigido ao máximo, de forma desumana. Dor, ânsia, angustia, tudo se mistura.
Aos poucos a freqüência cardíaca começa a abaixar, a respiração vai voltando ao normal, as células musculares lentamente voltam a absorver o oxigênio em níveis normais, a visão desembaça... E tudo começa a voltar.
Aguardando o resultado, o aperto e a duvida do sucesso castigam um pouco mais. – Pronto. Diz o locutor – Temos em minhas mãos o resultado oficial: Em primeiro lugar ...... Paulistano!!!
O mundo desaba!
Valeu a pena. Tudo. As noites mal dormidas de preocupação, as madrugadas geladas, as tardes de calor, os finais de semana e feriados perdidos, a dor e o sofrimento de cada dia.
Mais uma linda e emocionante vitória!
- Este texto descreve um pouco as sensações que um remador sente durante uma prova dura. Mas só quem esta ali - na raia – vivendo aquele momento e lutando com todas as suas forças, sabe o quanto é dolorido vencer. Alias... como tudo na vida.
Esse ano não foi para mim um ano de grandes vitórias, mas foi um tempo de muito aprendizado. Fiquei fora de grandes competições e não obtive grandes êxitos nas que participei. Mas continuo em pé, sonhando com uma prova como a que descrevi há pouco.
Ela já existiu... mas não neste ano, mas logo deve surgir.
Os principais torneios nacionais estão se aproximando, o Troféu Brasil Sênior B – sub-23 – é agora em Setembro. E estaremos lá, prontos, para ultrapassar nossos limites e conquistarmos novas vitórias - para nosso clube e para nós mesmos.
Desde já convido a todos a estar presentes nesses eventos, onde com sua torcida nos ajudarão a conquistar nossos objetivos!
RAÇA, RAÇA, RAÇA, PAULISTANO!!!!!!!!
Escrito por Matias Boledi às 13h50
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|