Os últimos suspiros do Verão.

O sol já brilhava quando levantamos. Arrumamos rapidamente as coisas e saímos à busca de encontrar algumas ondas pela região. Já que no nosso quintal não tinha nada. O Jeito foi tocar para o Guarujá, lá sempre tem onda.
Rodamos a ilha atrás de um pico bom para surfar. Lá pelas dez da manha encontramos o “nosso pico”.
Morro do Maluf. Pitangueiras. Nunca tinha surfado lá. Tinha poderosas direitas e esquerdas. Ali as ondas estavam entrando com respeito. Tinha tranqüilamente um metro na serie. Estava do jeito que a gente gosta.
Entramos no mar sob olhares dos surfistas locais, que não gostam de visitantes em suas águas. O localismo hoje é uma realidade que nos “haoles” (estrangeiros) temos que nos acostumar.
O Jú estava preocupado. Eu também estava, o negocio era pegarmos uma boa onda logo. Para se impor perante aqueles olhares. E isso aconteceu logo.
Acostumado com ondas mais lentas e cheias, aquela onda foi uma experiência totalmente nova. Uma onda rapidíssima, cavada e pesada. A descida na onda foi extremamente rápida, praticamente despenquei lá de cima, alucinante. A descarga de adrenalina foi estonteante. Emoção pura.
Agora como descrever as ondas que o Julian estava – literalmente – se jogando. Acho que ele deixou o juízo da areia da praia, ou talvez em São Paulo. Por que ele via aquela parede enorme se aproximando, ele me olhava e ria, remava na onda e na maioria das vezes desaparecia.
Mas ele não se deixou vencer, mesmo depois de um enorme caldo, que demorou uns minutos se recuperando – que gerou muitas risadas e alguns litros de água consumidos – surgiu uma onda enorme no horizonte.
De longe a onda foi desenhando toda sua parede. Gritei para ele, era só dele. Depois só o vi remando, estava perfeitamente posicionado na onda, e... Bom pela reação de um local que estava perto, foi animal, quase indescritível.
Ele despencou lá de cima numa velocidade impressionante e foi embora rasgando toda a parede da onda. Foi talvez a melhor onda do dia.
Depois de algumas horas e muitas ondas surfadas saímos exaustos do mar. Tínhamos parado o carro logo na frente da praia e enquanto arrumávamos as coisas continuávamos a ver as direitas quebrarem, agora sem nossa presença. Mas estávamos satisfeitíssimos.
Na volta para casa comecei a pensar que naquelas águas cristalinas, ótimos surfistas já haviam estado ali. Uma praia com tanta historia, que foi o ponto de partida para o surfe no Guarujá.
Ela já tinha sua historia antes de nos pegarmos umas ondas ali, mas agora nos também fazemos parte.
Chegamos em casa com a sensação de missão comprida. Saímos em busca das ondas e as encontramos. A caçada foi bem sucedida, e a despedida do verão foi perfeita.
Essa foi a ultima sessão de surfe desse verão... Agora só no fim do ano... Não tem problema, afinal o inverno ta ai e as grandes ondulações também... Boas ondas a todos...
Escrito por Matias Boledi às 12h17
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